O excelente relatorio da McKinsey & Company, publicado em agosto de 2024 sobre a Geração Z e o renascimento dos valores conservadores consolidados pela esmagadora vitória dos republicanos sobre os democratas na eleição mais importante dos últimos anos, nos mostram os desafios dos conflitos que muitos profissionais relatam nas relações de trabalho.
Os “Z” cresceram sob uma ameaça alarmante de desgraça climática, bloqueios pandêmicos e medos de colapso econômico. Esta é a primeira geração dos chamados “nativos digitais” a primeira geração a crescer com a internet como parte da vida diária e em breve serão um quarto da população mundial.
Esse medo profundo, que mina a autoconfiança e essa sensação de SEM SAIDA, produziram alguns impactos psicológicos marcantes nessa geração: a idealização utópica e ideológica de um mundo totalmente justo, igualitário e benevolente e, com a mesma intensidade, há também uma raiva voltada a todas as gerações passadas como se as mesmas tivessem estragado o mundo para a chegada deles. O famoso “how dare you?”, virou um mantra desta geração, contra as gerações passadas.
A ideologia tem efeitos criativos e transformadores que são insuperáveis, por outro lado o pragmatismo conservador discute limites que devem ser considerados, uma vez que algumas limitações são impostas pela realidade e como diz o sábio: a realidade não está nem aí para os seus sonhos, ela simplesmente acontece.
Hoje no mundo corporativo e do trabalho em geral, o encontro dos conservadores pragmáticos, com a ideologia utópica da geração Z, nos escritórios, startups, cafés e workshops é conflituosa.
Aqui a licença poética do filme Megalopolis, de Coppola, que foi ovacionado por uns e odiado por outros – mas isso não vem ao caso – nos mostra esse conflito entre o idealismo da Geração Z e o pragmatismo conservador em uma alegoria das tensões contemporâneas.
No filme a metáfora de renovação cultural e social, pela reconstrução de Nova York em “Megalopolis” é simbolicamente uma disputa entre novas maneiras de viver e construir o mundo e as relações e a conserva dos valores tradicionais que são a base da sociedade, como por exemplo, a família.
Adam Drive (MARAVILHOSO), o protagonista idealista vê a nova cidade como uma tela em branco para experimentos sociais e tecnológicos, enquanto os conservadores pragmáticos e estoicos, representado pelo também incrível Giancarlo Esposito, argumentam pela ética e o impacto a longo prazo dessas mudanças, defendendo uma abordagem mais gradual e ancorada na tradição.
Todo esse conflito reflete os debates contemporâneos sobre sustentabilidade, justiça social, tradição e mudança e que no filme encontra solução como um casamento entre as duas ideias e iniciativas. Este casamento simbólico no filme, é o caminho para criatividade produtiva em contraponto às diferenças que separam e agridem. Na verdade, no filme a união entre ideologia utópica e pragmatismo conservador aparece como o ÚNICO caminho viável e produtivo para o que parece ser uma guerra entre as gerações.
Eu acredito que o mesmo terá que acontecer nas relações de trabalho, a ideologia e o pragmatismo terão que se casar e nutrir essa relação para que ela seja produtiva.
Um ambiente psicologicamente seguro e maduro é o caminho para trazer as diferenças à tona com honestidade e profundidade e torná-las conciliadoras. Não existe mágica, o caminho será trabalhoso, mas eu concordo com Coppola: ou entramos juntos nesse trem ou nos destruiremos na guerra das gerações.

